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O povo brasileiro morrendo e o Bolsonaro querendo lucrar

A revelação de que o governo Bolsonaro tentou vender respiradores ao exterior durante o pior momento da pandemia de Covid-19 é um retrato estarrecedor da negligência e do descaso que marcaram a gestão federal. Não se trata de um erro isolado, mas de uma ação coordenada que colocou interesses comerciais acima de vidas humanas. Em […]

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Redação
04/11/2026 às 08h24
O povo brasileiro morrendo e o Bolsonaro querendo lucrar

A revelação de que o governo Bolsonaro tentou vender respiradores ao exterior durante o pior momento da pandemia de Covid-19 é um retrato estarrecedor da negligência e do descaso que marcaram a gestão federal. Não se trata de um erro isolado, mas de uma ação coordenada que colocou interesses comerciais acima de vidas humanas.

Em 17 de junho de 2020, o Itamaraty, sob o comando de Ernesto Araújo, mobilizou dez embaixadas brasileiras em caráter “urgentíssimo” para buscar compradores estrangeiros para ventiladores pulmonares. A justificativa oficial era uma suposta “sobra” de produção, alegação jamais comprovada por qualquer dado ou estudo técnico que demonstrasse a existência desse excedente.

A realidade, no entanto, era brutalmente oposta. No mesmo dia da ofensiva diplomática, o Brasil registrava 1.269 mortes em 24 horas e já acumulava mais de 46 mil óbitos. Seis estados operavam com ocupação superior a 80% nos leitos de UTI, e os informes confidenciais da Abin alertavam para o colapso iminente do sistema de saúde em Manaus pela falta de respiradores. O governo sabia da escassez e, ainda assim, tentou exportar os equipamentos.

A gravidade é ainda maior porque a manobra ignorava uma lei sancionada pelo próprio Jair Bolsonaro em abril de 2020, que proibia a exportação de ventiladores pulmonares durante a emergência sanitária, salvo em casos excepcionais e fundamentados. O então ministro da Economia, Paulo Guedes, relatou que o Itamaraty pressionava pela liberação das vendas para evitar desgastes diplomáticos, mesmo após alertas de que a medida poderia custar vidas brasileiras. A ordem teve desdobramentos práticos: a Embaixada do Brasil em Quito chegou a intermediar contatos comerciais entre o Equador e fabricantes brasileiros de equipamentos médicos.

A conduta do governo Bolsonaro não se limita a essa tentativa de exportação. A gestão federal foi marcada por falta de transparência e inoperância na compra e distribuição de respiradores. Auditorias da CGU apontaram que o Ministério da Saúde, então comandado por Eduardo Pazuello, não conseguiu comprovar a entrega de 4.816 respiradores adquiridos por R$ 273,3 milhões. Estados e municípios relataram que abriram leitos contando com aparelhos prometidos pelo governo federal que nunca chegaram.

Diante de tudo isso, Bolsonaro, Ernesto Araújo, Paulo Guedes e Eduardo Pazuello, além de todos os demais envolvidos na articulação e na omissão que permitiram esse cenário, carregam uma responsabilidade direta e inegável. A tentativa de vender respiradores ao exterior enquanto brasileiros morriam asfixiados nos hospitais não é apenas um erro administrativo; é uma escolha política consciente que priorizou a imagem do governo e supostos interesses comerciais em detrimento da vida. A sociedade brasileira tem o direito de conhecer todos os detalhes dessa operação e de exigir que os responsáveis por essa tragédia sejam exemplarmente responsabilizados. O povo brasileiro morrendo e o Bolsonaro querendo lucra

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