Presidente do Paraguai é preso após o impeachment
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso em sua residência, em Assunção, na noite desta sexta-feira, por ordem do Ministério Público, pouco depois de o Senado aprovar sua destituição. A medida está relacionada às investigações sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que atendia cerca de 3 milhões de clientes. O político ficará […]

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso em sua residência, em Assunção, na noite desta sexta-feira, por ordem do Ministério Público, pouco depois de o Senado aprovar sua destituição. A medida está relacionada às investigações sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que atendia cerca de 3 milhões de clientes. O político ficará em prisão domiciliar, à disposição das autoridades.
Conforme o jornal paraguaio ABC Color, agentes da Polícia Nacional cumpriram a ordem enquanto Pedro Alliana, até então vice-presidente, assumia o comando do país em cerimônia no Congresso. A investigação apura suspeitas de irregularidades na administração de recursos públicos ligados ao banco.
A saída de Peña ocorreu por decisão unânime dos 44 senadores presentes à sessão de impeachment. Na quinta-feira ele havia anunciado sua renúncia, mas o Congresso não aceitou o pedido e deu continuidade ao processo. A Câmara dos Deputados já havia aprovado o prosseguimento do julgamento por 78 votos.
O caso ganhou força depois que o Banco Central do Paraguai determinou uma intervenção no Ueno Bank, diante da deterioração de sua situação financeira. A medida deixou milhões de correntistas com dificuldades para acessar o próprio dinheiro e provocou protestos. O ex-presidente foi acionista do grupo controlador da instituição até 2025 e passou a ser investigado por possíveis conflitos de interesses e irregularidades envolvendo depósitos de recursos públicos. Peña nega ter cometido crimes.
Em declaração patrimonial apresentada em 2023, o então presidente informou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente R$ 5,28 milhões. Ele vendeu sua participação em abril de 2025. Também declarou um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no banco e um título da empresa de tecnologia financeira Itti. Seu irmão aparece como sócio da U Holding SARL, apontada como parte da estrutura de controle do grupo.
As suspeitas também envolvem aplicações de dinheiro público na instituição financeira. Entre os órgãos que mantinham recursos no Ueno Bank estão o IPS (Instituto de Previdência Social), o Ministério da Economia e as entidades binacionais Itaipu e Yacyretá. Parlamentares paraguaios pediram que as autoridades investiguem as decisões responsáveis pelos depósitos e apurem possíveis prejuízos ao Estado. A denúncia também questiona a atuação do Banco Central, acusado de não adotar medidas suficientes para impedir o agravamento da crise.
Segundo a agência Associated Press, o Ministério Público também investiga integrantes atuais e antigos de órgãos responsáveis pela fiscalização bancária. Com a destituição, o ex-mandatário perdeu o direito à cadeira vitalícia no Senado, que lhe garantiria imunidade parlamentar. Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato, previsto até agosto de 2028.
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